Editorial

Os sistemas tradicionais de governança – que definem como as organizações devem ser dirigidas – são pouco capazes de lidar com processos de gestão que visam à reparação de grandes desastres ambientais. Diante dos profundos, difusos e duradouros impactos causados à natureza e à sociedade humana, torna-se necessária a ampla participação de múltiplos atores nos processos decisórios, o que vem a se chamar governança multistakeholder.

“Se todas as pessoas e instituições atingidas por um desastre não estiverem legitimamente representadas no processo decisório, a governança não funcionará”, assegura Simon Zadek, consultor especial para Finanças Sustentáveis no Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), ouvido na reportagem de capa desta edição.

Esse é um processo delicado de exercício democrático que busca alcançar um bem comum e exige paciência de todos os participantes. Em geral, os resultados demoram para ser obtidos, mas, uma vez conquistados, mostram-se mais sólidos e permanentes. Como afirma a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, na entrevista em vídeo, na medida em que a população é chamada a compor processos participativos, abre-se espaço para a formação de um cidadão mais atuante politicamente e consciente de seus direitos e deveres.

Mas este modelo inovador, que ajuda a expandir a fronteira no conhecimento em gestão, depara-se com uma série de obstáculos, conforme elenca o professor da FEA-USP Decio Zylbersztajn, no podcast desta edição. Ele também observa que as organizações em geral somente buscam uma participação mais ampla do coletivo se sofrerem pressões sociais, comerciais ou para evitar perdas na reputação. Assim, a capacidade de auto-organização da sociedade definirá o quanto conseguiremos avançar em modelos de governança e de participação cidadã.

Boa leitura!